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Pesquisa desmistifica tratamento odontológico para portadores de HIV

Pesquisa desmistifica tratamento odontológico para portadores de HIV

https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/pesquisa-desmistifica-tratamento-odontologico-para-portadores-de-hiv/ - 23/07/2018 10:26:19

 

Um estudo realizado na USP contribui para desmistificar atendimento odontológico para pacientes portadores do vírus HIV. Hoje, além de estarem mais longevos, eles estão apresentando menos doenças bucais oportunistas, que se aproveitam da baixa na imunidade causada pelo vírus. A pesquisa foi feita no Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia (FO) da USP e irá auxiliar cirurgiões-dentistas na realização de procedimentos adequados e na avaliação de comorbidades (existência de doenças simultâneas) que podem afetar o manejo clínico odontológico.
Orientada pela professora Marina Gallottini, coordenadora do Cape, o trabalho de Maria Fernanda Bartholo Silva foi feito com base em exame e entrevista de 101 pacientes com HIV do centro de atendimento durante os anos de 2016 e 2017. O levantamento também objetivava atualizar informações e compará-las com as obtidas em outra pesquisa semelhante que havia sido feita pelo Cape em 2006.
O estudo mostrou que, devido ao maior acesso às terapias antirretrovirais altamente difundidas na década de 90, houve um aumento da longevidade das pessoas com Aids, que passaram a apresentar incidência cada vez menor de doenças oportunistas bucais. Dos entrevistados (a maioria homens), todos usavam a terapia antirretroviral potente (HAART, sigla em inglês) e grande parte relatou ter sido contaminada via contato sexual havia mais de dez anos. Muitos apresentaram lipoatrofia facial, ou perda de gordura subcutânea do rosto (32%), seguida por xerostomia, ou boca seca (29%), e aumento de glândulas salivares (11%), mas sem incidência de doenças bucais oportunistas graves. Em relação ao estudo de 2006, houve um aumento do número de pacientes com doenças metabólicas – pressão alta, alterações de colesterol, triglicérides e glicemia.
O uso de medicamentos antirretrovirais tem se mostrado eficaz porque as drogas preservam a imunidade do paciente, melhoram a qualidade de vida e reduzem as chances de transmissão do vírus HIV. No entanto, efeitos adversos desses medicamentos surgem quando são utilizados por longo prazo. É o caso da lipodistrofia, que resulta na má distribuição da gordura no corpo, principalmente nos braços, pernas, face e nádegas. Já em relação às manifestações de lesões oportunistas bucais, as terapias antirretrovirais têm diminuído a incidência destas entre os pacientes infectados, como é o caso da candidíase oral e da leucoplasia pilosa (placas esbranquiçadas na borda lateral da língua).
Dadas as inter-relações entre saúde bucal e saúde geral do paciente infectado, que envolvem a maioria dos sistemas de órgãos, muitas doenças podem afetar o manejo odontológico, relata Marina. “A boca pode ser a sede de uma série de alterações relacionadas direta ou indiretamente com a infecção pelo HIV.” A consideração de comorbidades é importante na prestação de cuidados odontológicos porque os indivíduos infectados podem apresentar condições de saúde mais complexas. Dessa forma, avalia Marina, é necessário conhecer as comorbidades, para que os profissionais de odontologia verifiquem a necessidade de modificações no tratamento dentário.
Segundo Marina, as alterações sistêmicas encontradas pela pesquisa não limitam o atendimento odontológico ambulatorial, embora a pesquisadora recomende que sejam solicitados exames, como hemograma, CV (carga viral) e o CD4 (que determinam a quantidade de linfócitos no sangue), antes de iniciar o tratamento para avaliar a saúde do paciente. Marina acredita que compartilhar essas informações com a comunidade de dentistas brasileiros vá contribuir para a inclusão desse perfil de paciente na assistência odontológica pública e privada.

Um estudo realizado na USP contribui para desmistificar atendimento odontológico para pacientes portadores do vírus HIV. Hoje, além de estarem mais longevos, eles estão apresentando menos doenças bucais oportunistas, que se aproveitam da baixa na imunidade causada pelo vírus. A pesquisa foi feita no Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia (FO) da USP e irá auxiliar cirurgiões-dentistas na realização de procedimentos adequados e na avaliação de comorbidades (existência de doenças simultâneas) que podem afetar o manejo clínico odontológico.


Orientada pela professora Marina Gallottini, coordenadora do Cape, o trabalho de Maria Fernanda Bartholo Silva foi feito com base em exame e entrevista de 101 pacientes com HIV do centro de atendimento durante os anos de 2016 e 2017. O levantamento também objetivava atualizar informações e compará-las com as obtidas em outra pesquisa semelhante que havia sido feita pelo Cape em 2006.


O estudo mostrou que, devido ao maior acesso às terapias antirretrovirais altamente difundidas na década de 90, houve um aumento da longevidade das pessoas com Aids, que passaram a apresentar incidência cada vez menor de doenças oportunistas bucais. Dos entrevistados (a maioria homens), todos usavam a terapia antirretroviral potente (HAART, sigla em inglês) e grande parte relatou ter sido contaminada via contato sexual havia mais de dez anos. Muitos apresentaram lipoatrofia facial, ou perda de gordura subcutânea do rosto (32%), seguida por xerostomia, ou boca seca (29%), e aumento de glândulas salivares (11%), mas sem incidência de doenças bucais oportunistas graves. Em relação ao estudo de 2006, houve um aumento do número de pacientes com doenças metabólicas – pressão alta, alterações de colesterol, triglicérides e glicemia.


O uso de medicamentos antirretrovirais tem se mostrado eficaz porque as drogas preservam a imunidade do paciente, melhoram a qualidade de vida e reduzem as chances de transmissão do vírus HIV. No entanto, efeitos adversos desses medicamentos surgem quando são utilizados por longo prazo. É o caso da lipodistrofia, que resulta na má distribuição da gordura no corpo, principalmente nos braços, pernas, face e nádegas. Já em relação às manifestações de lesões oportunistas bucais, as terapias antirretrovirais têm diminuído a incidência destas entre os pacientes infectados, como é o caso da candidíase oral e da leucoplasia pilosa (placas esbranquiçadas na borda lateral da língua).


Dadas as inter-relações entre saúde bucal e saúde geral do paciente infectado, que envolvem a maioria dos sistemas de órgãos, muitas doenças podem afetar o manejo odontológico, relata Marina. “A boca pode ser a sede de uma série de alterações relacionadas direta ou indiretamente com a infecção pelo HIV.” A consideração de comorbidades é importante na prestação de cuidados odontológicos porque os indivíduos infectados podem apresentar condições de saúde mais complexas. Dessa forma, avalia Marina, é necessário conhecer as comorbidades, para que os profissionais de odontologia verifiquem a necessidade de modificações no tratamento dentário.


Segundo Marina, as alterações sistêmicas encontradas pela pesquisa não limitam o atendimento odontológico ambulatorial, embora a pesquisadora recomende que sejam solicitados exames, como hemograma, CV (carga viral) e o CD4 (que determinam a quantidade de linfócitos no sangue), antes de iniciar o tratamento para avaliar a saúde do paciente. Marina acredita que compartilhar essas informações com a comunidade de dentistas brasileiros vá contribuir para a inclusão desse perfil de paciente na assistência odontológica pública e privada.